Auditor-fiscal do Aeroporto de Fortaleza é denunciado por comandar grupo criminoso suspeito de fraudes em importações

  • 13/08/2026
(Foto: Reprodução)
Suspeito de comandar grupo criminoso estava lotado no Aeroporto de Fortaleza. Agência Diário Um auditor-fiscal da Receita Federal do Brasil, lotado no gabinete da inspetoria do Aeroporto de Fortaleza, está sendo denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF) por interferir irregularmente em despachos aduaneiros e fornecer, em troca de vantagens, informações e orientações sigilosas sobre comércio exterior. O auditor teria recebido cerca de R$ 6,8 milhões no esquema. Ele é apontado como comandante de uma organização criminosa suspeita de fraudes em operações de importação. Ao todo, o MPF realizou duas denúncias envolvendo 19 pessoas (11 em uma e 8 na outra). O órgão não divulgou a identidade de nenhum dos envolvidos. LEIA TAMBÉM: Casal preso por desvio de R$ 1 milhão de clientes de banco no Ceará mirava idosos Suspeita de morte de policial carbonizado é investigada por vender contas falsas em app Em nota, a Receita Federal do Brasil disse que o servidor denunciado pelo MPF foi afastado de suas funções "na própria data de deflagração da operação, em conformidade com as medidas cabíveis no âmbito administrativo". Durante a apuração do caso, o órgão assegurou o bloqueio de mais de R$ 26 milhões em contas bancárias de empresas e pessoas físicas envolvidas nas atividades criminosas, além da apreensão de veículos importados e de uma embarcação de luxo. A denúncia é desdobramento da Operação Snooker, realizada em conjunto com a Corregedoria da Receita Federal, que visa desarticular um esquema criminoso de corrupção, descaminho e lavagem de dinheiro relacionado a importações irregulares. No ano passado, a operação cumpriu 27 mandados de busca e apreensão contra 22 alvos nas cidades de Fortaleza, Aquiraz, Maranguape e Maracanaú, no Ceará; além do município de Salvador, na Bahia. Relembre: Empresários e funcionários da Receita são alvos de operação por fraudes em importações Entenda como atuava o grupo criminoso Ministério Público Federal denunciou suspeitos de fraudes em importações. Foto: Leobark Rodrigues/Secom/MPF Segundo as investigações, o grupo era hierarquizado e dividido em quatro núcleos: público, empresarial, financeiro e auxiliar. As tarefas eram divididas entre um agente público, empresários do setor de importação e pessoas responsáveis por movimentar e ocultar os recursos ilícitos. No centro do esquema está o auditor-fiscal da Receita Federal. Ele está lotado no gabinete da inspetoria do aeroporto e teria interferido em despachos aduaneiros. O suspeito também teria fornecido informações e orientações sigilosas sobre comércio exterior em benefício de empresas importadoras e despachantes aduaneiros, em troca de vantagens indevidas. O montante recebido por ele é estimado em pelo menos R$ 6,8 milhões. ➡️ O MPF descreve dois esquemas de fraude viabilizados pela atuação do agente público: O primeiro envolve uma empresa importadora, administrada por um empresário cearense, que importava joias de prata e declarava os produtos como semijoias ou bijuterias de metal comum, de valor tributário muito inferior. "O empresário recebia apoio do auditor-fiscal para obter laudos periciais que atestavam falsamente a natureza do material. Esse esquema teria funcionado entre 2020 e 2024, sendo descoberto apenas quando a fiscalização ocorreu durante um período de férias do servidor. Nesse caso, a propina paga somou pelo menos R$ 1,2 milhão", descreve o MPF. No segundo esquema, um casal de empresários de nacionalidade chinesa, à frente de outra importadora, subfaturava produtos eletrônicos para reduzir o pagamento de tributos, contando com a intercessão direta do auditor-fiscal para driblar a fiscalização aduaneira. A propina paga por esse grupo é estimada em pelo menos R$ 2,5 milhões. Outros investigados Ainda segundo o MPF, outro grupo de investigados é apontado como o núcleo financeiro da organização. Nesse grupo estaria um contador responsável pela constituição de diversas empresas de fachada em nome de terceiros. Ele estaria encarregado de movimentar os valores ilícitos e disfarçar o repasse de propina ao agente público. "Dois integrantes desse núcleo, responsáveis de fato por empresas importadoras de fachada, teriam pago ao auditor-fiscal, em contrapartida a informações privilegiadas sobre procedimentos internos da Receita Federal, pelo menos R$ 3,1 milhões", explica o órgão. A segunda denúncia trata do núcleo auxiliar do esquema, formado por familiares do auditor-fiscal (entre eles cônjuge, filhas, irmãos e um cunhado) que teriam recebido pagamentos e bens adquiridos com recursos de origem ilícita, além de pessoas que emprestaram seus nomes para figurar formalmente como responsáveis por empresas e contas bancárias usadas na lavagem de dinheiro. O núcleo financeiro é apontado, em conjunto com um núcleo auxiliar, como responsável pela movimentação de mais de R$ 103,3 milhões por meio de empresas sem atividade econômica real. Obstrução das investigações Segundo o MPF, o grupo criminoso ainda teria tentado obstruir a investigação. O auditor-fiscal teria usado dados de terceiro para cadastrar uma linha telefônica se identificado falsamente em aplicativo de mensagens, enquanto outro investigado do núcleo financeiro usou número de telefone internacional e codinome para se comunicar. "Os dois, em conjunto, trocaram periodicamente de aparelhos celulares, condutas apontadas como obstrução à investigação da organização criminosa". Em sentido oposto, um dos denunciados – um empresário amigo do auditor-fiscal, que teria emprestado uma empresa familiar para o repasse disfarçado de propina – firmou acordo de colaboração premiada com o MPF, tendo inclusive depositado judicialmente valores referentes à rescisão da compra de um imóvel de luxo adquirido com recursos do esquema. O imóvel, no valor de R$ 1,6 milhão, foi comprado na Beira-Mar de Fortaleza com valores oriundos de propina paga ao auditor-fiscal. "Segundo as investigações, o esquema apresenta indícios de caráter transnacional: além da nacionalidade estrangeira de dois dos investigados, foram identificados documentos relativos à abertura de empresas e contas bancárias nos Estados Unidos e a titularidade de uma empresa sediada nas Ilhas Virgens Britânicas em nome de um dos denunciados", diz o MPF. Bloqueio de bens Polícia Federal apreende em Salvador (BA) lancha de grupo suspeito de fraudar importações em Fortaleza (CE) Polícia Federal A atuação do MPF resultou no bloqueio efetivo de mais de R$ 26 milhões em contas bancárias de empresas e pessoas físicas envolvidas nas atividades criminosas, além da apreensão de veículos importados e de uma embarcação de luxo. Além disso, o valor de R$ 1,6 milhão foi devolvido por envolvidos na compra de um apartamento na Beira-Mar de Fortaleza. No acordo de colaboração premiada, um dos denunciados se comprometeu a pagar R$ 150 mil como multa para ressarcir o prejuízo causado. Outro envolvido, com menor participação, fez um acordo de não persecução penal com a obrigação de pagar R$ 40 mil. As duas denúncias apresentadas à Justiça Federal tratam dos participantes com atuação mais relevante identificados até o momento. Segundo o MPF, outros empresários, despachantes aduaneiros e pessoas que emprestaram seus nomes a empresas de fachada também serão denunciados separadamente, à medida que a investigação avançar, "para evitar tumulto processual em um único processo". Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/08/13/auditor-fiscal-do-aeroporto-de-fortaleza-e-denunciado-por-comandar-grupo-criminoso-suspeito-de-fraudes-em-importacoes.ghtml


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