De vila pesqueira a polo de lazer: como a Beira-Mar movimenta o turismo de Fortaleza e é destino para corredores

  • 02/04/2026
(Foto: Reprodução)
Cearenses celebram aniversário de Fortaleza e falam sobre importância da Beira-Mar Avenida que atravessa três bairros de Fortaleza, a Beira-Mar é um dos pontos turísticos mais importantes da cidade e considerada cartão-postal da capital cearense, que recebeu 4,1 milhões de visitantes em 2025, conforme dados do Observatório do Turismo. 🏖️ A Beira-Mar se estende por cerca de seis quilômetros, ou 17 quarteirões, com início no Bairro Praia de Iracema (Regional 12), passando pelo Meireles e finalizando no Mucuripe, ambos bairros da Regional 2. O trecho principal da avenida, que compreende o calçadão e a ciclovia, tem cerca de 3 km. LEIA TAMBÉM: Alcione, Simone Mendes e mais: confira as atrações do aniversário de Fortaleza Com Humberto Martins e Malvino Salvador, Paixão de Cristo de Pacatuba inicia apresentações A Regional 2 compreende os bairros Meireles, Aldeota, Varjota, Papicu, De Lourdes, Cais do Porto, Mucuripe, Vicente Pinzón, Joaquim Távora, Dionísio Torres e São João do Tauape. Meireles, Aldeota e Dionísio Torres apresentam os maiores índices de Desenvolvimento Urbano de Fortaleza, sendo: 1º lugar: Meireles – 0,95 2º lugar: Aldeota – 0,87 3º lugar: Dionísio Torres – 0,86 Por outro lado, os bairros Cais do Porto, Vicente Pinzón e São João do Tauape possuem IDH inferior a 0,500, considerado muito baixo. 🚴🏽‍♀️ Além das praias, a Beira-Mar atrai moradores e turistas por sediar eventos como o Réveillon e por ser espaço frequente para a prática de esportes, como corrida e ciclismo. Nesta matéria, você vai entender como a Avenida Beira-Mar se tornou um tesouro para o turismo fortalezense, quais são as contradições que envolvem o local e o que está sendo pensado para o futuro da região. 🎉 A cidade de Fortaleza completa 300 anos no dia 13 de abril de 2026. O g1 Ceará publica uma série de reportagens contemplando histórias e curiosidades de todas as regionais até a data do aniversário da capital cearense. Leia as reportagens já publicadas: Antigo hidroporto e atual cartão postal, Barra do Ceará tem relação com o nascimento da cidade de Fortaleza Da pesca ao turismo: a transformação da Beira-Mar de Fortaleza Movimentação na orla reúne praticantes de atividade física logo nas primeiras horas do dia. Fabiane de Paula/SVM. Construída em 1963, a avenida Beira-Mar reúne hotéis, restaurantes e clubes, além de praias conhecidas como Mucuripe, Náutico e Meireles. Hoje, a avenida é um dos locais mais importantes e lembrados da cidade. Porém, nem sempre foi assim, como explica a historiadora Isabele Farias, mestre em História Social pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Segundo ela, no século XIX a cidade funcionava em torno do Rio Pajeú e as áreas de praia eram desvalorizadas. Na região da Beira-Mar, por exemplo, viviam comunidades pesqueiras, mais pobres e autônomas. É só na virada para o século XX que o cenário muda: “As pessoas que têm um poder aquisitivo maior vão fazer a mudança de perspectiva, de sair do que hoje em dia é o Centro da cidade e ir para onde é a Beira-Mar. As elites se estabeleceram nessa região no começo do século XX, mas é só anos depois, entre as décadas de 50, 60 e 70, que o desenho da Beira-Mar, como a gente conhece hoje, vai começando a ser instituído". "É nesse momento onde a gente vai ter a construção dos primeiros hotéis, da ideia de um lugar para receber o turismo . O metro quadrado da praia, que há poucas décadas não valia nada, agora passa a ser valorizado", detalha Isabele. Casas dos jangadeiros da Praia do Meireles em Fortaleza (CE) - Maio de 1952 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) Essa mudança significativa no pensamento das elites aconteceu por um motivo importante, aponta a especialista: busca por distinção social. Com a cidade crescendo, e recebendo muitos retirantes do interior do estado, os mais abastados buscaram outras áreas para morar, afastando-se do Centro de Fortaleza, que antes era uma região desejada. "É a localização como um espaço de distinção social mesmo. Além disso, você vai ter um discurso sanitário que vai ser repercutido nesse período, um período de muitas epidemias circulando no Brasil todo, de que, quem pega os ventos primeiro, estaria livre dessas contaminações", explica Isabele Farias. Segundo a historiadora, "a ideia de que o vento passa primeiro por comunidades pobres para então chegar nas pessoas mais abastadas era apavorante. Então, as elites vão fazer esse movimento de querer estar onde os ventos chegam em primeiro lugar, buscando o litoral da cidade". Casa do jangadeiro de nome Jerônimo com sua família na Praia do Meireles em Fortaleza (CE) - Maio de 1952 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) Turismo passa a moldar a orla da capital Praia de Iracema Iracema Plaza Hotel vista aérea da cidade Fortaleza, CE (sem data). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) Um símbolo marcante desse período de transformação da orla de Fortaleza é o Edifício São Pedro, demolido em maio de 2024. O prédio foi inaugurado em 1951, sendo o primeiro a ter mais de três andares na Praia de Iracema. Ele surgiu como Iracema Plaza Hotel, consolidando uma era de luxo e lazer à beira do mar para os boêmios e visitantes da capital cearense. Isabele costuma dizer que o Edifício São Pedro foi "vítima do que ele próprio fabricou". Isso porque, para sua construção ser possibilitada, pequenas comunidades que viviam na região foram removidas. De acordo com a pesquisadora, essa mudança se espalhou por outros pontos do litoral. "Quando esses primeiros hotéis vão chegando, quando a praia passa a ser vista como um lugar de passeio, um lugar a ser explorado, você vai ter vários processos de remoção de comunidades ou de conflitos com comunidades dessa região, principalmente comunidades pesqueiras. A gente tem o Moura Brasil, por exemplo, que naquele momento era um conglomerado de casinhas de taipa muito importante dentro do contexto urbano, mas que vai sofrer com as consequências da chegada desse turismo e disputar espaço na beira da praia", aponta a mestre em História Social. Ela destaca ainda que a paisagem original da cidade era diferente, com dunas e vegetação natural, antes da urbanização. "Fortaleza não era uma cidade plana, muito pelo contrário, era uma cidade toda cheia de dunas que foi planificada ao longo dos anos", aponta. "Então, o cenário da Beira-Mar também era cheio de outeiros, pequenos morros de areia e dunas grandes também. No início, o horizonte que se enxergava desse ponto era de vegetação natural e, só aos poucos, é que a urbanização vai chegando", completou. Jangadas na Praia do Mucuripe em Fortaleza (CE) - Década de 1950. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE) Vitrine turística Orla passou por transformações ao longo do século XX e hoje é símbolo da cidade. Fabiane de Paula/SVM Com a chegada da urbanização, já na década de 1960, a paisagem urbana foi sendo rapidamente modificada. O famoso calçadão da avenida nasce para receber os turistas e cearenses que ansiavam por um passeio à beira-mar. Desde então, faça chuva ou sol, logo cedo pela manhã ou à noite, o movimento na avenida não cessa. De acordo com a pesquisa 'Perfil, Percepção da Satisfação e Felicidade do Turista em Fortaleza', do Observatório do Turismo de Fortaleza (Setfor), a Beira-Mar lidera o ranking das experiências turísticas mais vivenciadas da cidade, "o que reflete diretamente na geração de renda e na criação de empregos na região", explica Denise Carrá, secretária do Turismo de Fortaleza. Para Denise, a avenida tornou-se um espaço estratégico para o turismo da cidade e tem papel central na dinâmica urbana, o que contribui significativamente para a geração de emprego e renda e para o fortalecimento das atividades econômicas: "O espaço integra tradição e contemporaneidade, com destaque para o artesanato e a gastronomia. Além disso, destaca-se como palco de grandes eventos esportivos, culturais e de entretenimento, reforçando sua relevância como espaço público de convivência e promoção da cidade", analisa a secretária. Ambulantes garantem sustento com vendas ao longo do calçadão da Beira-Mar. Fabiane de Paula/SVM Não há uma estimativa anual específica para o número de turistas que circulam exclusivamente pela avenida. Os dados mais recentes são da Pesquisa dos Usuários da Beira-Mar 2024, que indicam um fluxo diário de mais de 26 mil turistas no período de alta temporada, entre dezembro e janeiro. Já Fortaleza recebeu mais de 4,1 milhões de visitantes em 2025, superando os níveis pré-pandemia, conforme dados do Observatório do Turismo. Esses números devem continuar subindo, de acordo com a secretária. “A Beira-Mar passou por um processo de requalificação nos últimos anos, que trouxe impactos positivos para o turismo e para a qualidade de vida dos moradores. As melhorias na infraestrutura do calçadão ampliaram o conforto, a acessibilidade e a segurança, incentivando uma maior ocupação do espaço ao longo do dia”, comenta Denise. Outro fator importante para esse cenário, de acordo com a secretária, é o investimento no chamado turismo de wellness (bem-estar), que inclui a prática de esportes como a corrida, o ciclismo e modalidades náuticas. A aposta no tema é tão forte que a Prefeitura realiza, neste mês de abril, a 1° Maratona Internacional da cidade. O evento estreia com mais de 10 mil atletas de países como Estados Unidos, Argentina, Portugal, Chile, França, Itália e Reino Unido, além de brasileiros de Fortaleza e de outros estados. "As melhorias na infraestrutura do calçadão ampliaram o conforto, a acessibilidade e a segurança, incentivando uma maior ocupação do espaço ao longo do dia", encerra Denise. Orla atrai moradores e turistas para prática de esportes e lazer ao ar livre. Fabiane de Paula/SVM Esporte e comércio impulsionam rotina na orla Movimento intenso de pessoas de diferentes idades marca o dia a dia da Beira-Mar. Fabiane de Paula/SVM A profissional de Educação Física Thais Rodrigues, de 26 anos, acorda cedo todos os dias para dar aula de natação na Praia do Náutico, das 6h até 8h. Há seis anos, é assim que ela e os colegas geram sua renda. Thais conta que recebe turistas de todos os estados do Brasil e também de outros países, como Argentina e Chile. A professora vê como positivo o boom de esportes que aconteceu nos últimos anos na orla da capital, especialmente porque pessoas de diversas idades estão se cuidando mais. "A nossa orla está repleta de gente todos os dias. Isso mostra como as pessoas estão se cuidando, estão sabendo a importância de fazer uma atividade física, principalmente orientadas, procurando assessoria. É muito gratificante ver essa orla cheia de pessoas de todas as idades. Todo mundo vem", destaca Thaís. Thais Rodigues, à direita. Gabriela Feitosa/g1 Natural de Fortaleza, a jovem ressalta as belezas da cidade, em especial na Avenida Beira-Mar. Ela acredita, no entanto, que a segurança e a limpeza podem melhorar: "O que eu mais gosto aqui é o nosso mar, água quentinha, bem tranquila, para quem quer entrar para curtir e relaxar. O que pode melhorar é mais segurança para os esportistas, tanto no calçadão, quanto na faixa de areia". Carlos, vendedor de óculos. Fabiane de Paula/SVM O vendedor ambulante Carlos antes trabalhava na Praia do Futuro, mas há cinco anos escolheu a Avenida Beira-Mar como novo local de trabalho. Ele vende óculos escuros e tira toda a sua renda desse serviço. "Para quem trabalha com vendas aqui é ótimo. Tem períodos que não são muito bons, como o inverno, mas quando passa fica tudo melhor, com a gente trabalhando e ganhando o dia a dia", conta Carlos. Ele mora no Bairro Vicente Pinzón e sai de casa diariamente às 7h. Ele pontua que o novo reordenamento apresentado pela prefeitura impactou seu trabalho, mas mesmo nos dias mais fracos, ainda bate a meta de vendas: "Fortaleza é bom demais, cidade maravilhosa que dá oportunidade para várias pessoas". João Marcelo, médico. Fabiane de Paula/SVM Passeando no calçadão com seu cachorro, o médico João Marcelo Oliveira, de 33 anos, decidiu mudar recentemente para o Bairro Meireles com o intuito de aproveitar a Beira-Mar após a reforma de 2022, quando foi entregue com nova pavimentação, equipamentos esportivos e academia ao ar livre: "Ficou excelente para quem quer passear, fazer esporte, curtir com a família. Acho que tem atraído muito turismo. Realmente a gente sente que essa parte ficou bem feita, bem cuidada. Tento aproveitar bastante, andar com meus cachorros, fazer corrida, atividade física. A gente é muito abençoado por ter essa praia", relatou ao g1. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

FONTE: https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2026/04/02/de-vila-pesqueira-a-polo-de-lazer-como-a-beira-mar-movimenta-o-turismo-de-fortaleza-e-e-destino-para-corredores.ghtml


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